ERS 2018 – Tratamento endoscópico do Enfisema

1- ABLAÇÃO TERMAL POR VAPOR para enfisema heterogéneo com predomínio nos lobos superiores

Daniela Gompelmann (Thoraxklinik Heidelberg – Alemanha)

 

A ablação por vapor térmico broncoscópico (BTVA) representa uma das técnicas endoscópicas de redução do volume pulmonar (ELVR), que visa a redução da hiperinsuflação em individuos com enfisema avançado para melhorar a mecânica respiratória. Com este método, existe uma resposta inflamatória que leva à redução de tecido e volume dos segmentos enfisematosos mais afetados. Alguns estudos demonstraram melhoria da função pulmonar, capacidade de exercício e a qualidade de vida em pacientes com enfisema predominante no lobo superior, independentemente da ventilação colateral. As pessoas elegíveis para o método (ainda em fase experimental) seriam aqueles com enfisema do lobo superior predominante, (VEF1) entre 20 e 45% do previsto, volume residual (VR)> 175% do previsto e capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO) ≥20% do previsto.

O procedimento pode ser realizado sob profunda, ou, preferencialmente sob anestesia geral. O equipamento consiste em um gerador de vapor e um catéter balonado descartável. Após o posicionamento do catéter de BTVA e a oclusão do segmento-alvo pelo balão de oclusão, o vapor de água aquecido é fornecido em um tempo especificado. Após o procedimento, os doentes devem ser rigorosamente monitorados para detectar sintomas de reação inflamatória localizada que possam piorar temporariamente o quadro clínico do paciente. O método é especialmente interessante para pacientes com ventilação colateral que contraindique o tratamento com válvulas.

 

2- Redução de volume pulmonar com molas endobrônquicas em individuos enfisematosos

Dirk Jan Slebos (Amsterdam – Holanda)

 

A redução do volume pulmonar nos pacientes enfisematosos pode ser feita através da inserção de molas que ao se recolherem encolhem o lobo pulmonar. Esta opção de tratamento broncoscópico minimamente invasivo é dirigida a um grande grupo de doentes em que a cirurgia de redução do volume pulmonar e a redução broncoscópica do volume pulmonar por meio de válvulas endobrônquicas não são uma opção ou, alternativamente, podem ser oferecidas como uma ponte para o transplante pulmonar. A mola de nitinol exibe um efeito de memória e é biologicamente inerte. O tratamento é realizado em duas sessões com intervalo de 4 a 8 semnas. Em uma sessão de tratamento são colocadas cerca de 10 a 14 molas.

As complicações mais comuns são as exacerbações da DPOC, pneumonia e as menos frequentes são o pneumotórax recidivante e dor crónica quando as molas são colocadas próximas da pleura. Nestes casos as molas podem ser seletivamente removidas dentro de um prazo de tempo. Três ensaios clínicos randomizados que investigam esta terapia foram publicados até o momento, relatando os resultados de 452 pessoas ao longo de 12 meses de seguimento e demonstraram melhora significativa dos desfechos da função pulmonar e qualidade de vida.

 

Revisão retirada do PNEUMOBLOG