“O tabaco aquecido preocupa especialistas” – Expresso 3/6/2018

O uso de tabaco aquecido e de cigarros eletrónicos está a alarmar os médicos portugueses. Depois do boom dos cigarros eletrónicos entre 2013 e 2014, aumenta em Portugal o consumo de tabaco aquecido. Mais de 100 mil portugueses já ‘fumam’ um dispositivo de tabaco aquecido — comercializado desde 2016 pela Tabaqueira, subsidiária da Philip Morris em Portugal. Em média, cerca de 200 fumadores portugueses optam diariamente por este produto. Em todo o mundo, esse número ultrapassa já os cinco milhões, segundo dados da empresa.

Estudos elaborados pela Philip Morris referem que esta alternativa sem fumo e sem cinza assenta na redução de 90% a 95% da exposição aos constituintes nocivos e potencialmente nocivos do cigarro tradicional que resultam da combustão. Avaliações externas feitas na Holanda (pelo RIVM), na Alemanha (pelo BfR) e no Reino Unido (pelo COT), entre outros, também confirmam os dados da indústria. Mas as opiniões dividem-se. Alguns especialistas defendem que os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido são alternativas potencialmente menos nocivas e podem ajudar a deixar o tabaco tradicional. Outros insistem que estes produtos são prejudiciais, causam dependência e podem atrair mais jovens.

Os especialistas portugueses ouvidos pelo Expresso defendem que este tipo de produtos não são inócuos, nem se podem antever os seus efeitos a longo prazo. “Uma vez que há uma grande incerteza em relação aos efeitos a longo prazo do cigarro eletrónico e do tabaco aquecido, a legislação deve ser absolutamente restritiva e semelhante à do cigarro tradicional”, declara o médico Ricardo Fontes Carvalho, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC). O tabaco é diretamente responsável por 30% de todas as mortes por doença cardiovascular, sendo o fator de risco que, isoladamente, mais contribui para a mortalidade cardiovascular. Só em 2016, mais de 11.800 pessoas morreram em Portugal por doenças relacionadas com o tabaco. Embora existam alguns estudos a sugerir que o tabaco aquecido e os cigarros eletrónicos são potencialmente menos nocivos, os resultados disponíveis relativos ao sistema respiratório referem-se também apenas ao curto prazo. “As evidências sobre os malefícios do tabaco demoram décadas a ser demonstradas, porque muitos deles se instalam de forma lenta. Sabemos de alguns aspetos, como o alívio imediato da tosse ou a redução do cansaço, mas desconhecemos ainda se continua o risco da doença cardiovascular, doença pulmonar obstrutiva crónica [DPOC], e menos ainda se reduz ou não o risco de cancro”, alerta Paula Rosa, médica pneumologista e representante da comissão de trabalho da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

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