Cerca de 21% dos casos de DPOC na Europa têm causa ocupacional.

Um novo estudo mostrou que 21% dos casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) podem ser atribuídos a exposições ocupacionais, particularmente a exposição à poeira biológica, pesticidas, gases e fumos.

Usando o European Community Respiratory Health Survey (ECRHS), uma equipa internacional liderada por investigadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona examinou os efeitos das exposições ocupacionais na incidência da DPOC. O ECRHS é um estudo grande, multicêntrico, de base populacional, de longa duração.

Foram selecionados aleatoriamente indivíduos da população, com idades entre 20 e 44 anos, entre 1991-1993 e acompanhados durante 20 anos. A espirometria foi realizada quando os indivíduos foram selecionados e durante o follow-up.

No total, 3.343 participantes de 12 países foram incluídos no estudo, dos quais 89 tiveram diagnóstico de DPOC no acompanhamento, resultando em uma incidência de 1,4 casos por 1.000 pessoas-ano.

Os investigadores observaram que as pessoas que foram expostos ao pó tiveram uma maior incidência de DPOC do que aqueles que não foram expostos – um risco 1,6 vezes maior de desenvolver DPOC do que a população geral. Já os que foram expostos a gases e fumos tiveram um risco 1,5 vezes maior de desenvolver DPOC, e indivíduos expostos a pesticidas tiveram um risco 2,2 vezes maior de desenvolver DPOC.

A análise estatística revelou que 21% dos casos de DPOC poderiam ser atribuídos a exposições ocupacionais. “Isso sugere que até um em cada cinco novos casos de DPOC entre pessoas de meia-idade em países ocidentais poderiam ser evitados, evitando ou controlando exposições ocupacionais em empregos contemporâneos”, escreveram os responsáveis pelo estudo.

Uma das limitações do estudo é que a população ainda era relativamente jovem na altura do acompanhamento, e a DPOC geralmente se desenvolve em uma população mais velha. No entanto, o facto de alguns indivíduos desenvolverem DPOC devido à exposição ocupacional, mesmo entre essa população relativamente jovem, é muito preocupante do ponto de vista da saúde pública.

Uma questão que permanece sem resposta é se os efeitos observados são modificados pelo tabagismo, uma vez que o tabagismo é um fator de risco primário para o desenvolvimento da DPOC.

“Estudos futuros devem esclarecer se esses efeitos são modificados pelo tabagismo, a sua interação com a asma e mais detalhadamente os riscos envolvidos com determinadas ocupações, atividades e agentes nocivos”, concluiu a equipa.

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